Sincomercio Jundiaí analisa os últimos números do IBGE
Após registrar deflação de 0,11% em agosto, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) apresentou elevação de 0,48% em setembro, conforme divulgado pelo IBGE. Este resultado supera o verificado no mesmo período do ano anterior (+0,44%) e representa o maior índice mensal de 2025 desde março, quando foi registrado um aumento de 0,56%. No acumulado do ano, a alta é de 3,64%, enquanto nos últimos 12 meses alcança 5,17%, ligeiramente acima dos 5,13% observados no mês anterior.
Gráfico 1: Evolução índice mensal e acumulado em 12 meses do IPCA

Fonte: IBGE
Elaboração: Sincomercio Jundiaí e Região
Entre os grupos que mais contribuíram para esse avanço, destaca-se a “Habitação”, que teve alta de 2,97%, impulsionada especialmente pelo acréscimo de 10,31% na energia elétrica residencial. Em contrapartida, o grupo “Alimentação e bebidas” apresentou retração de 0,26%, acumulando quatro meses consecutivos de queda. Esse resultado foi impactado principalmente pela diminuição de 0,41% na alimentação dentro das residências, puxada pelo tomate (-11,52%), cebola (-10,16%), batata-inglesa (-8,55%) e arroz (-2,14%).
Tabela 1: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (%) de setembro de 2025, por grupos

O INPC, que considera apenas os preços referentes a famílias com rendimento de até cinco salários-mínimos, registrou alta de 0,52%. Esse resultado supera o verificado no mesmo mês de 2024 e representa o maior índice desde fevereiro, quando foi registrada variação de 1,48%. No acumulado do ano, o índice atinge 3,62%, enquanto nos últimos doze meses alcança 5,10%.
Gráfico 2: Evolução índice mensal e acumulado em 12 meses do INPC

Fonte: IBGE
Elaboração: Sincomercio Jundiaí e Região
Em setembro, o INPC ficou acima do IPCA devido ao maior peso da energia elétrica para quem recebe até 5 salários-mínimos, tornando o aumento mais significativo para essa faixa. Por isso, o grupo “Habitação” teve alta de 3,28%, superior à registrada pelo IPCA.
Tabela 2: Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de setembro de 2025, por grupos

ANÁLISE ECONÔMICA
O Sincomercio Jundiaí já havia previsto que setembro não teria deflação ou baixa inflação no Brasil, o que se confirmou, apesar das expectativas do mercado de índices IPCA e INPC até mais altos. O aumento da conta de luz foi determinante, pois o impacto positivo do “Bônus de Itaipu” ocorreu apenas em agosto, tornando a energia mais cara para as famílias neste nono mês.
A expectativa é de que a inflação volte a níveis um pouco menores, inclusive quando comparada aos mesmos meses de 2024. Mesmo assim, o índice anual deve permanecer acima da meta do Banco Central, evidenciando a necessidade de atenção redobrada em relação aos preços internos. Para os empresários do varejo, há um destaque nos indicadores recentes: o preço dos alimentos tem apresentado queda média nos últimos meses. Essa tendência provavelmente fará com que as famílias priorizem esses itens, direcionando parte de sua renda para o consumo de bens essenciais, o que tende a beneficiar esses segmentos em comparação a outros setores do comércio varejista.