Em junho de 2025 o faturamento bruto real do comércio varejista da região de Jundiaí/SP (Delegacia Regional Tributária formada por 36 municípios) atingiu cerca de R$ 7,37 bilhões, um aumento de 6,1% em relação ao registrado no mesmo mês de 2024. Pela participação do segmento, destaque aos supermercados, com R$2,32 bilhões em receitas brutas e avanço de 6,9%. Já em termos de crescimento relativo, os melhores resultados vieram das lojas de autopeças (+31,9%) e dos estabelecimentos que comercializam móveis e decoração (+27,7%).
De janeiro a junho o varejo regional acumulou um aumento de 9,9% em seu faturamento bruto real e em 12 meses há 9,6% de taxa de crescimento. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), da FecomercioSP e com dados primários da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz SP).
Tabela 1: Faturamento real do varejo da região de Jundiaí/SP em junho de 2025

Se o cenário acima demonstrado traz consigo uma abordagem positiva sobre o varejo da região de Jundiaí/SP na primeira metade de 2025, ao observarmos a evolução da taxa mensal de crescimento das vendas em comparação aos meses respectivos do ano passado, vemos que houve um claro processo de desaceleração na performance do setor no fim deste primeiro semestre. Isso ocorreu especialmente após o pico de abril, passando para uma taxa inferior em maio e ainda menor em junho, que foi a oscilação positiva mais diminuta do índice dentre os seis primeiros meses de 2025 (6,1%).
Gráfico 1: Variação do faturamento real do comércio varejista da Região de Jundiaí – mês contra mesmo mês do ano anterior

Fonte: FecomercioSP e Sefaz SP
Embora os dados da pesquisa se refiram apenas ao resultado bruto do varejo da região, sem indicar a margem ou o desempenho líquido das atividades, observa-se que o acumulado do primeiro semestre foi positivo. “Esse resultado está relacionado à expansão do mercado de trabalho, que contribui para a renda das famílias. No entanto, nota-se uma desaceleração ao final do período, reflexo de fatores como juros elevados, inflação persistente e altos índices de endividamento e inadimplência, que começaram a impactar o desempenho do varejo. A tendência é, inclusive, que esses fatores continuem influenciando o setor no segundo semestre do ano”, observa Jaime Vasconcelos, assessor econômico do Sincomercio Jundiaí e Região.
Segmentos dependentes de crédito, como eletrodomésticos e eletrônicos, além dos veículos sentiram mais esse arrefecimento em junho. O setor de vestuário até foi estimulado por um inverno mais rigoroso e os supermercados se beneficiam da característica essencial de suas mercadorias. Já as grandes evoluções percentuais dos ramos de móveis e autopeças se dão sim por um cenário positivo, mas decorrem muito de serem segmentos de menor magnitude em participação do faturamento total do varejo e, por isso, estão mais suscetíveis a oscilações de maior magnitude.
“A tendência, reforçamos, é de continuidade desta desaceleração do varejo para o restante de 2025 e também com impactos em 2026. Até porque a desafiadora conjuntura econômica ao consumo das famílias, citada anteriormente, deve se manter. Este fato eleva a preocupação dos empresários do setor varejista local para o curto e médio prazo”, alerta Edison Maltoni, presidente do Sincomercio Jundiaí e Região.