Com crédito restrito e consumo mais seletivo, varejistas devem ampliar ações, apostar em precificação inteligente, descontos reais, boa divulgação e atendimento qualificado
Jundiai, 12 de março de 2026 – Celebrado em 15 de março, o Dia do Consumidor deixou de ser apenas uma data simbólica de valorização de direitos e se transformou em um dos principais marcos promocionais do calendário varejista. Em 2025, o varejo comercializou nesta data 61 milhões de itens, um crescimento expressivo de 27,8%.
Para Edison Maltoni, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio), como o Dia do Consumidor é uma data relativamente recente e pouco conhecida no varejo físico. “Nossa sugestão é para o empresário intensifique a divulgação das ações promocionais que ocorrerão na loja também pelas redes sociais e pelo WhatsApp”, sugere.
Ele aponta ainda outro aspecto importante a ser levado em conta é que, diferentemente de outras datas — como o Dia das Mães ou dos Namorados, em que se compra para presentear. “No Dia do Consumidor, as pessoas adquirem itens para uso próprio. Esse é o motivo que impulsionou o resultado do segmento de saúde em 2025, por exemplo, com alta de 91% nas vendas de medicamentos em comparação com o ano anterior”, declara.
Nesse contexto, a expectativa é de que os bens essenciais voltem a se destacar, especialmente nas categorias de saúde, utilidades domésticas, beleza e perfumaria.
Como se planejar para a data?
O Sincomercio Jundiaí e Região e a FecomercioSP prepararam algumas dicas para que o empresário possa atingir os melhores resultados e atrair novos clientes para a sua loja online ou física. Confira:
Preferência e tendências: O comerciante deve ficar atento às pesquisas realizadas com os consumidores, indicando as preferências e tendências de produtos, o que ajuda na seleção de produtos e formação de estoques para a data.
Ampliação do portfólio: Quem vende pelos marketplaces deve ampliar o portfólio de produtos da loja ou criando kits com os itens em estoque.
Descontos reais: Nas lojas físicas, principalmente para os produtos que ficaram parados no estoque, as campanhas do tipo “leve 3 pague 2” e ofertas com descontos atrativos na compra da segunda unidade são estratégias que funcionam.
Precificação inteligente: Em tempos de consumidor mais sensível a preço e altamente comparativo, a precificação inteligente evita decisões baseadas apenas em “achismo”, além de reduzir riscos de perda de rentabilidade e possibilitar campanhas mais competitivas — equilibrando faturamento, margem e geração de caixa.
Meios de pagamento: Vale a pena o varejista incentivar e até mesmo oferecer desconto diferenciado para quem optar pelo pagamento por PIX. Com os juros altos, essa modalidade de pagamento reforça o caixa da empresa e disponibiliza o dinheiro de maneira imediata e a um custo bem menor quando comparado com o cartão de débito ou crédito.
Panorama
Em 2025, as vendas referentes ao Dia do Consumidor atingiram R$ 1,2 bilhão, queda de 8,8% em relação a 2024, de acordo com dados da Confi.Neotrust. Vale destacar que essa queda é consequência da estratégia de ampliar o alcance da data por mais dias. Ao considerar a data, entre os dias 10 e 16 de março, o faturamento atingiu R$ 8,3 bilhões, alta de 13,6% em relação ao mesmo período de 2024. O varejo comercializou 61 milhões de itens, um crescimento expressivo de 27,8%.
De acordo com o Sincomercio Jundiaí e Região e a FecomercioSP, o quadro de desaceleração econômica e crédito ainda restritivo tende a tornar as compras mais seletivas no Dia do Consumidor deste ano. A resiliência do mercado de trabalho, porém, ainda ajuda a sustentar a demanda.