Sincomercio Jundiaí analisa decisão do BC em manter a Selic em 15% ao ano
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na reunião desta quarta-feira (10), manter a taxa Selic em 15% ao ano, sinalizando que o Banco Central segue firme em uma postura mais cautelosa diante das incertezas do ambiente econômico. Embora os indicadores recentes apontem para uma inflação em desaceleração, especialmente pelo alívio nos preços de alimentos e bebidas, a autoridade monetária preferiu adiar qualquer movimento de afrouxamento ainda em 2025. Com isso, projeta-se que início de um ciclo de cortes nos juros fica realmente apenas para o começo de 2026.
Gráfico 1: Evolução da Taxa Selic (% ao ano)

Fonte: Banco Central do Brasil
Elaboração: Sincomercio Jundiaí e Região
Em comunicado após a reunião, o Banco Central destacou que mesmo com arrefecimento recente dos preços, a inflação no país ainda está acima da meta buscada de 3%, com a atividade econômica ainda resiliente por um mercado de trabalho aquecido, que tem mantido os preços de serviços ainda pressionados. Por isso houve a opção se manter inalterada a Selic neste fim de 2025.
Do ponto de vista mais prático, possuirmos um juro de 15% ao ano por mais tempo, sabendo que este patamar é o maior desde 2006, significa que o custo do crédito às Pessoas Físicas e Jurídicas se manterá em níveis elevados também por um período maior, até pelo efeito norteador que a taxa básica de juros da economia possui em todas as outras taxas de modalidades de crédito no país.
O elevado custo do dinheiro reduz a demanda interna, diminuindo a pressão sobre os preços, mas acaba afetando negativamente o crescimento da nossa própria economia. Prova disso é que o PIB brasileiro demonstra perda de força desde o segundo trimestre de 2025, ficando praticamente estagnado no terceiro. Inclusive, a expectativa é que o país cresça cerca de 2,2% em 2025, com uma desaceleração para menos de 1,8% em 2026.
O Sincomercio Jundiaí destaca que, mesmo parecendo distante do dia a dia do setor, a manutenção da Selic em níveis altos faz com que o custo do crédito continue elevado para os estabelecimentos. Isso também traz mais desafios para o consumo das famílias, impactando principalmente (e primeiramente) os segmentos do varejo. Dessa forma, é essencial para os empresários manter alguma liquidez de caixa, ajustar estoques, negociar prazos e preservar a competitividade até o início do ciclo de cortes previsto para 2026.
Vale lembrar, porém, que cada decisão sobre a Selic demora meses para refletir na economia real, portanto, mesmo com possíveis reduções começando em 2026, os efeitos positivos não deverão ser imediatos, especialmente no primeiro semestre do próximo ano.