Sincomercio Jundiaí aprofunda os dados do Banco Central e faz alerta às empresas do comércio varejista
Em agosto, o juro médio das operações de crédito com recursos livres destinadas a empresas no Brasil atingiu 25,21% ao ano, o maior nível desde julho de 2017 (25,41% ao ano) e praticamente quatro pontos percentuais acima do visto em agosto de 2024, quando a média era de 21,01% ao ano.
Tal diferença parece pouco, mas observado um exemplo de um empréstimo de R$ 50 mil, com 48 parcelas fixas, a diferença apenas no pagamento de juros totais quando comparamos a taxa anual de 21,01% com a de 25,21% é de quase R$4,5 mil.
Gráfico 1: Evolução da taxa média anual de juros das operações de crédito com recursos livres no Brasil – Pessoas Jurídicas (%)

Fonte: Banco Central
Elaboração: Sincomercio Jundiaí e Região
Além disso, o Sincomercio Jundiaí alerta que os dados acima referem-se à média das operações de crédito com recursos livres praticadas às empresas no Brasil, que atingiu 25,21% ao ano ou 1,89% ao mês. Avaliando agora as taxas médias mensais especificamente das principais modalidades de crédito adquiridas pelos estabelecimentos, não apenas em todas o juro médio em agosto de 2025 ficou superior ao do mesmo mês do ano passado, como boa parte delas as taxas estão em patamar superior à média total citada anteriormente.
Este cenário de maior custo do crédito às empresas mostra que mesmo a SELIC sendo mantida em 15% ao ano nos últimos meses, os juros dos empréstimos das modalidades mais comumente contraídas pelos estabelecimentos no país mantiveram-se em elevação.
Com isso, renovamos o alerta que o Sincomercio Jundiaí já apresentou em análises anteriores: O comércio varejista é duplamente impactado por este crédito caro e que se manteve em elevação. Primeiro porque ele impacta a rotina operacional/financeira dos negócios, dado que a antecipação de recebíveis, o capital de giro e demais parcelamentos ficam mais custosos, espremendo ainda mais os resultados líquidos finais. Além disso, enfraquece a performance de vendas, dado que o juro também aumenta nos empréstimos das pessoas físicas, isto é, dos consumidores finais. Isso reduz o seu apetite pelo crédito e impacta seu nível de consumo e, consequentemente, as vendas do próprio varejo.
Considerando o adverso cenários dos juros altos em um período que antecede o melhor trimestre de vendas do comércio varejista, com a injeção do décimo terceiro salário em novembro e junto de datas especiais como Black Friday e Natal, a orientação máxima é que o comerciante mantenha o equilíbrio do fluxo de caixa, além razoáveis níveis de liquidez na rotina do estabelecimento, afim de evitar necessidades quanto a capital de giro via bancos, em um momento de elevados custos com os juros, o que manterá assim por ao menos alguns bons meses.